Muita gente ainda pensa que a psicanálise é apenas para quem está em crise, passando por um momento difícil ou disposto a falar sobre o passado. Mas será que é só nesses casos que ela pode ajudar?
Neste texto, vamos falar sobre quem pode fazer terapia psicanalítica, como ela funciona e por que pode ser transformadora mesmo quando não há uma crise aparente.
O que é a psicanálise?
A psicanálise é um método terapêutico, criado pelo neurologista Sigmund Freud em 1900, que investiga e trata sofrimentos psíquicos através do que o paciente traz para a sessão em sua fala. Uma das primeiras pacientes atendidas por Freud apelidou as sessões de talking cure ou a cura pela fala e assim o método continuou sendo desenvolvido a partir dessa percepção.
Hoje, a psicanálise se caracteriza por ser uma abordagem que olha profundamente o paciente, levando em consideração toda sua história, seus pensamentos, focando principalmente no material inconsciente que se faz presente em cada sessão através da associação livre, do vínculo construído com o terapeuta e da atenção flutuante na escuta.
Mas o que a psicanálise oferece?
A psicanálise busca as causas profundas do que o paciente identifica como sintoma, assim como também mostra para o paciente sintomas que ele não identificaria sozinho. A diferença da psicanálise para outras abordagens é que ela não tenta encaixar o paciente no que se considera normal. O terapeuta vai investigar, ouvir o paciente e ajudá-lo a se reorganizar internamente entendendo como a psique dele se construiu dentro de uma particularidade própria para uma pessoa que é sempre única.
Por isso, dizemos que a psicanálise oferece escuta, constrói vínculo e trabalha o cuidar de si através dessa dinâmica. Estabelecendo um espaço seguro para acessar as partes mais profundas da psique.
Então para quem é a psicanálise?
A psicanálise é para quem quer olhar para si mesmo de forma profunda. Perguntar sobre os próprios porquês, mergulhar na própria psique. Para isso, não importa se já há uma crise para lidar, se você quer investigar uma área específica da sua vida ou se o que te incomoda é uma questão específica que você não sabe como nomear. Sessão após sessão esse trabalho vai sendo construído não somente entre paciente e terapeuta, mas também entre consciente e inconsciente para que os conteúdos importantes possam vir à tona.
A condição necessária é basicamente estar disposto ao processo, falar de si – mesmo que precise de ajuda no começo. Sentir-se convidado para dar esse mergulho em si mesmo.
