Dúvidas sobre psicanálise – Daniela Nunes | Psicanalista https://danielanunes.com.br Atendimento psicanalítico online para adultos Wed, 01 Oct 2025 12:17:28 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://danielanunes.com.br/wp-content/uploads/2025/09/cropped-favicon-32x32.png Dúvidas sobre psicanálise – Daniela Nunes | Psicanalista https://danielanunes.com.br 32 32 Por que falar ajuda? A potência da fala no processo terapêutico https://danielanunes.com.br/por-que-falar-ajuda/ Wed, 01 Oct 2025 12:11:19 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=722 Todos os dias eu vejo como a fala muda a historia de uma pessoa dentro do processo psicanalítico. E não só a fala realmente dita e materializada, mas também toda a linguagem que nos habita enquanto psique. Vejo os silêncios da vida toda, o que foi escondido, mas que fica latejando até sair em forma de palavras, choro ou sinais na pele, dentre outros tantos sintomas. Vejo também o que se fala e o que realmente quer se dizer, mas só tem liberdade para aparecer nos sonhos ou nas explosões de raiva. Vejo o que se sente mas que não encontra palavras pra que se possa ser definido em um vocábulo daquele idioma e aí fica na espera, aguardando até caber em alguma coisa. Vejo também quando as emoções estão misturadas demais e o paciente fala que sente um coisa quando na verdade tem um romance de 500 páginas pra me contar que leva pra uma definição totalmente diferente.

A fala tem essa potência na terapia.

Representa o universo inteiro de uma pessoa que eu vejo pela telinha, 1h por sessão, geralmente uma vez por semana.

Como pode ser tão potente e transformar a vida de alguém a partir disso?

Vou te falar um pouco a respeito.

Falar organiza.

Quando você começa a contar a sua história pra um terapeuta, algo dentro de você começa a trabalhar. A memoria traz alguns fatos, organiza algumas coisas por ordem de datas, cria uma narrativa. Em poucos minutos sua vida inteira está disponível para ser contada, na sua mente.

Mas falar disso, leva outro tempo. Porque as palavras não são só palavras. Elas carregam muito mais que isso. E é esse abstrato que você traz para as sessões.

Então, em um primeiro momento, a fala faz um movimento de organização dentro de você: recolhe as informações, o que é importante, o que quero falar agora, o que vou deixar para depois, vou falar em linhas gerais, vou detalhar. Um espaço quase consciente.

Mas a hora que esse discurso passa para a sessão e se materializa na sessão, aí outra coisa está acontecendo. Você está escolhendo como dizer, com que emoção contar e de repente uma emoção fica mais forte ou você bloqueia algo e a fala para.

Acontece também de você falar exatamente como organizou e quando você se ouve: espera, então quer dizer que… Ou ainda: mas acho que não falei tudo, ou não foi bem assim que aconteceu.

Tem mais alguma coisa entre o que você pensou e organizou e o que você realmente falou. Tudo isso importa para o seu processo terapêutico.

Por que falar com o terapeuta não é só desabafo?

Tem também uma outra dimensão da fala nas sessões que é o alívio através da fala, o que popularmente chamamos de desabafo. E que é muito importante. Espaços para desabafar são importantes.

Mas não é disso que se faz a terapia somente. O desabafo é um pedaço, digamos. A psicanálise vai procurar as causas: por que esse assunto do desabafo causa tanto aborrecimento e desconforto em você? Com que frequência acontece? Com o que se conecta?

E uma parte informação importante sobre desabafo: lá no final do século 19 antes do Freud fundar a psicanálise, ele e um outro médico perceberam que só o desabafo (ou processo catártico como eles chamavam) não era o suficiente. Aliviava por algum tempo, mas logo outros sintomas surgiam. E daí é que ele foi caminhando para um processo mais estruturado e que levava em consideração essas conexões da historia presente com outros aspectos da vida daquele paciente.

Por que falar com o terapeuta não é o mesmo que falar com um amigo?

Então agora você já entendeu que tem um processo bem complexo acontecendo quando vem para falar numa sessão de psicanálise e entendeu também que o processo terapêutico não é sobre desabafo, certo?

E aí entra um outro ponto bem importante sobre fala e terapia: muitas pessoas acham que falar com o terapeuta é como falar com um amigo.

Eu diria que sim e que não.

Mas é importante diferenciar ambos. Isso porque muitas vezes a análise é o único espaço de uma fala livre sobre si mesmo, o que a gente aprende que deveria poder fazer com outras pessoas também. Mas a vida não é sempre assim, né. E as sessões com cada vez mais frequência no mundo em que vivemos são o único espaço de relação verdadeira para muitas pessoas.

E claro, o terapeuta é um ser humano e fora da sessão ele tem uma vida como qualquer outro ser humano, mas na sessão, a função não é de amizade somente.

Na sessão estou ouvindo você profundamente, mas eu não conto da minha vida, é sobre você. Eu não julgo o que você traz, eu construo um espaço acolhedor e seguro para você entender que pode falar sobre qualquer assunto.

Muitas vezes as conexões que aparecem na sessões são sobre assuntos que você preferia esconder ou não enxergar simplesmente e talvez com um amigo você contasse de outra perspectiva, talvez não contasse os detalhes todos.

Pra um amigo talvez você fale daquele trauma uma vez, na terapia talvez você precise falar sobre ele durante meses.

Então, eu estou ali com você, ouvindo, apoiando, mas também questionando, procurando conexões que você não está vendo, apontando padrões e repetições que você nem imagina.

Falar, escutar, reorganizar

Então, olha como o processo terapêutico é complexo. E como a fala traz muito mais dimensões do que conseguimos pensar num primeiro entendimento.

Por isso é tão importante perceber que terapia não é sobre respostas prontas, nem sobre soluções mágicas, é um espaço de fala, escuta e reorganização de pontos muitos profundos.

Se você sente que tem algo aí dentro querendo ganhar forma, talvez valha a pena se escutar. E começar a falar com quem pode realmente te ouvir.

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Quem pode fazer a terapia psicanalítica? Descubra se esse caminho é pra você https://danielanunes.com.br/quem-pode-fazer-a-terapia-psicanalitica-descubra-se-esse-caminho-e-pra-voce/ Tue, 24 Jun 2025 19:28:27 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=675 Muita gente ainda pensa que a psicanálise é apenas para quem está em crise, passando por um momento difícil ou disposto a falar sobre o passado. Mas será que é só nesses casos que ela pode ajudar?

Neste texto, vamos falar sobre quem pode fazer terapia psicanalítica, como ela funciona e por que pode ser transformadora mesmo quando não há uma crise aparente.

O que é a psicanálise?

A psicanálise é um método terapêutico, criado pelo neurologista Sigmund Freud em 1900, que investiga e trata sofrimentos psíquicos através do que o paciente traz para a sessão em sua fala. Uma das primeiras pacientes atendidas por Freud apelidou as sessões de talking cure ou a cura pela fala e assim o método continuou sendo desenvolvido a partir dessa percepção.

Hoje, a psicanálise se caracteriza por ser uma abordagem que olha profundamente o paciente, levando em consideração toda sua história, seus pensamentos, focando principalmente no material inconsciente que se faz presente em cada sessão através da associação livre, do vínculo construído com o terapeuta e da atenção flutuante na escuta.

Mas o que a psicanálise oferece?

A psicanálise busca as causas profundas do que o paciente identifica como sintoma, assim como também mostra para o paciente sintomas que ele não identificaria sozinho. A diferença da psicanálise para outras abordagens é que ela não tenta encaixar o paciente no que se considera normal. O terapeuta vai investigar, ouvir o paciente e ajudá-lo a se reorganizar internamente entendendo como a psique dele se construiu dentro de uma particularidade própria para uma pessoa que é sempre única.

Por isso, dizemos que a psicanálise oferece escuta, constrói vínculo e trabalha o cuidar de si através dessa dinâmica. Estabelecendo um espaço seguro para acessar as partes mais profundas da psique.

Então para quem é a psicanálise?

A psicanálise é para quem quer olhar para si mesmo de forma profunda. Perguntar sobre os próprios porquês, mergulhar na própria psique. Para isso, não importa se já há uma crise para lidar, se você quer investigar uma área específica da sua vida ou se o que te incomoda é uma questão específica que você não sabe como nomear. Sessão após sessão esse trabalho vai sendo construído não somente entre paciente e terapeuta, mas também entre consciente e inconsciente para que os conteúdos importantes possam vir à tona.

A condição necessária é basicamente estar disposto ao processo, falar de si – mesmo que precise de ajuda no começo. Sentir-se convidado para dar esse mergulho em si mesmo.

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Como funciona a terapia psicanalítica? https://danielanunes.com.br/como-funciona-a-terapia-psicanalitica/ Wed, 09 Apr 2025 23:59:38 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=550 Muitas pessoas chegam à terapia psicanalítica com algumas perguntas: “Como é uma sessão de psicanálise? Vou precisar deitar no divã? Como fica o divã no online? Como a psicanálise ajuda as pessoas?”

Essas dúvidas são comuns e justificadas, afinal, existem muitos tipos de abordagens terapêuticas inclusive dentro da psicanálise, então como ficar seguro de que vai funcionar pra você, não é?

Pensando nisso, escrevi esse texto para responder algumas das perguntas mais comuns sobre o assunto e antes de qualquer coisa, gostaria de pedir um entendimento pra você: tudo o que vou falar aqui tem a ver com a maneira como eu lido com a terapia psicanalítica, é a minha forma de atender e ouvir as pessoas. Possivelmente você vai achar muitas outras maneiras e abordagens, então peço que não entenda nada como verdade absoluta e sim como uma das possibilidades disponíveis nesse imenso mundo terapêutico, ok? Obrigada, agora seguimos. 🙂

Como é uma sessão de psicanálise?

Uma sessão começa com o paciente (analisante/cliente = outras maneiras que você vai encontrar para falar de quem vai procurar um psicanalista) trazendo suas questões.

As sessões aqui tem duração de 60 minutos, no geral. Digo no geral porque às vezes é preciso estender um pouco, às vezes é preciso encerrar antes, mas no geral são 60 minutos.

A sessão vai acontecendo a partir da fala do paciente e o mais comum que aconteça é que ele comece a falar de um assunto e termine a sessão em um lugar aparentemente muito diferente de onde começou.

Essa é a tal associação livre, um dos pilares da terapia psicanalítica. Um assunto traz outro, traz memórias que pareciam totalmente esquecidas ou que aparentemente não tem nada a ver com o que se estava dizendo inicialmente.

O que o analista faz?

O analista basicamente escuta e analisa. Pode parecer simples e óbvio, mas a escuta na terapia psicanalítica não é só ouvir.

Enquanto o terapeuta parece estar ali apenas ouvindo, talvez anotando algo que a gente nem imagina o que seja, ele está colocando em prática a atenção flutuante ou escuta ativa, outro dos pilares da psicanálise.

É uma escuta que ouve o inconsciente, liga os pontos do que “parece” sem sentido, analisa como essas coisas surgem na sua psique, porque ela é única e se organiza também de maneira única, mas não sem sentido, pode ter certeza. Na nossa fala, tudo tem sentido. A psique e todos os seus componentes são extremamente inteligentes.

No geral, o terapeuta está ali para ouvir, mais do que falar. Mas conforme as sessões se seguem vai acontecendo também uma construção de vínculo entre paciente e terapeuta que muda tudo. E esse espaço de fala e escuta também vai ficado mais claro.

Esse vínculo também é um dos pilares da terapia psicanalítica e se chama transferência.

Como a psicanálise ajuda as pessoas?

A psicanálise ajuda as pessoas ouvindo-as de maneira muito profunda, construindo um espaço seguro para fazer essa escuta, criando um vínculo seguro e sem julgamento para que esses conteúdos inconscientes possam surgir e depois ajudando-as a entender e reorganizar essas descobertas de si mesmo.

E ao contrário do que muita gente acha, não é o psicanalista que vai te dizer como fazer. Você mesmo vai entendendo como fazer e o terapeuta está ali com esse vínculo forte que vocês construíram para apoiar você nessa caminhada.

Onde o inconsciente entra nisso tudo?

O inconsciente não é um inimigo, bom lembrar. O inconsciente é parte do que pode-se chamar ainda hoje de aparelho psíquico. Uma parte da psique que não está acessível o tempo todo aos nossos comandos conscientes, por isso a psicanálise foi investigando como acessá-lo. E a maneira mais direta para muitas pessoas é através da fala.

Mas por que precisamos do inconsciente? O que ele faz? O inconsciente guarda toda memória, informação e desejos que nós temos. Não só a parte boa, mas também todas as dificuldades reais e imaginárias que fomos tendo ao longo do nosso desenvolvimento, desde o nascimento.

E como estamos falando de uma parte da psique é preciso lembrar que temos ainda o consciente e o subconsciente, ou seja somos complexos e a maior parte do que trazemos de questões mentais e emocionais estão lá nesse pedaço mais profundo, que é o inconsciente.

Mas isso aqui é claro, estou falando de um jeito simplificado, só para você se situar de como é complexo. Existem outros pedaços desse aparelho psíquico também.

Mas onde entra o divã?

O divã foi uma maneira que Freud encontrou, lá na virada do século 19 para o século 20, de fazer as pessoas se concentrarem em si mesmas e no que precisavam acessar.

Muitas pessoas simplesmente não conseguiam falar sobre si enquanto Freud as olhava e aí ele as convidava a deitar no divã e se sentava na cabeceira do divã, de forma que o paciente não o visse e pudesse se concentrar em si mesmo.

Por muito tempo o divã era obrigatório nos consultórios de psicanalistas, hoje já não temos essa imposição e na modalidade online geralmente estamos cara a cara.

Hoje a demanda inclusive é de que o analista esteja no campo de visão do paciente, mas como já disse pra vocês, vai sempre variar entre as abordagens, terapeutas e aqui pra mim, depende bastante de como percebo o que o cliente precisa.

Claro que ainda tem pessoas que preferem realmente não falar olhando para o analista, tem pessoas que esse deitar as relaxa e coloca mais facilmente no estado mental mais adequado para a associação livre, mas hoje já sabemos que não é só no divã que a sessão precisa acontecer.

E no fim das contas…

A terapia psicanalítica é um espaço para se escutar, se compreender e, aos poucos, se transformar.

Não existe um único jeito de viver esse processo. E isso é uma das coisas mais bonitas da psicanálise: ela não te encaixa num molde, ela te ajuda a se conhecer de verdade.

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Psicanálise é terapia? https://danielanunes.com.br/psicanalise-e-terapia/ https://danielanunes.com.br/psicanalise-e-terapia/#respond Wed, 02 Apr 2025 21:13:55 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=503 Desde que coloquei meu site no ar, essa é uma das perguntas que mais recebo. E a resposta simples e direta é: sim, psicanálise é terapia.

É um método terapêutico com mais de 120 anos de história, inclusive dos primeiros que foram estruturados como terapia, de fato.

Mas, então, de onde vem essa dúvida?

A confusão sobre a psicanálise

Hoje, existem muitas abordagens terapêuticas, cada uma com suas particularidades. Assim como dentro da própria psicanálise, há diferentes escolas e maneiras de conduzir o atendimento clínico. Ou seja, não há um único jeito de enxergar e tratar as questões da psique.

Acredito que tenha um pouco disso: cada abordagem puxando pra si a tal da “verdade”.

Mas acho que vem também de um certo imaginário que se formou ao redor das sessões, do divã, da figura do Freud como se a psicanálise estivesse presa no passado.

A evolução da psicanálise

A psicanálise tem mesmo um jeitão próprio e desde sua invenção, lá em 1900, muita coisa aconteceu:

✅ As sessões não acontecem somente no divã.

✅ A frequência pode variar, mas, no geral, um encontro semanal é o que nossa vida moderna consegue.

✅ As sessões se adaptaram perfeitamente ao formato online.

✅ Novos autores ampliaram e atualizaram seus conceitos, como Melanie Klein, Winnicott, Bion, Lacan e tantos outros.

Terapia não é solução mágica

Mas é importante dizer: nenhuma terapia — psicanalítica ou não — é um atalho para a felicidade. O processo exige esforço, e muitas vezes nos coloca diante de dores e verdades difíceis de encarar.

Se alguém disser que terapia é um caminho leve, sem desafios e com quantidade certa de sessões para “curar tudo”, desconfie.

Cada pessoa tem seu caminho

A psicanálise pode ser um caminho incrível, mas não é o único.

Portanto, faça sua pesquisa! Experimente as abordagens que achar necessárias! Indico inclusive que não faça julgamentos sobre elas se você só foi a uma sessão, dê chance para que um vínculo se estabeleça e você possa realmente entender se vai funcionar.

A psique precisa de tempo e nós seres humanos precisamos de vínculos seguros para nos aprofundarmos em nós mesmos.

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