Vida cotidiana – Daniela Nunes | Psicanalista https://danielanunes.com.br Atendimento psicanalítico online para adultos Tue, 30 Sep 2025 00:44:23 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://danielanunes.com.br/wp-content/uploads/2025/09/cropped-favicon-32x32.png Vida cotidiana – Daniela Nunes | Psicanalista https://danielanunes.com.br 32 32 Ansiedade, depressão e o tempo da psique: por que o sofrimento mental não passa rápido? https://danielanunes.com.br/ansiedade-depressao-e-o-tempo-da-psique-por-que-o-sofrimento-mental-nao-passa-rapido/ Tue, 10 Jun 2025 14:26:14 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=649 Vivemos em um tempo acelerado. Aplicativos de produtividade, notificações constantes, metas mensais — tudo parece exigir uma resposta imediata. Mas ansiedade e depressão não seguem esse ritmo. O sofrimento psíquico tem um tempo próprio. E é sobre esse descompasso que precisamos falar.

Quem convive com sintomas de ansiedade ou depressão, ou mesmo quem acompanha alguém nessa vivência, sabe como é difícil entender por que certas dores demoram tanto para passar. A mente parece presa a repetições, a ciclos que se arrastam, a sensações que não se resolvem. E não raro vem a cobrança: “Mas por que eu ainda estou assim?”

O que ansiedade e depressão revelam sobre a nossa forma de viver

A ansiedade nasce da expectativa constante de dar conta de tudo agora, mas principalmente do futuro, que pode ser amanhã ou ano que vem. De antecipar o que pode dar errado. De responder rapidamente a todas as demandas externas. Uma proteção constante em forma de hipervigilância e controle.

Já a depressão, por outro lado, parece suspender o tempo: tudo fica mais lento, sem cor, sem perspectiva. A defesa enquanto um ninho em si mesma, sem energia para o fora, apenas tentando tornar-se invisível, mas presa numa contradição: quer existir e ser vista como antes, sem saber exatamente quando foi esse ‘antes’, ou carrega a certeza de ter falhado e agora estar sendo punida por isso.

As duas experiências, tão diferentes, têm algo em comum: mostram que há algo na forma como estamos vivendo que está adoecendo a psique. O mundo contemporâneo nos pede velocidade, mas a subjetividade precisa de pausa. O mundo exige performance, mas o inconsciente exige o respeito ao próprio tempo.

Não é à toa que tanta gente tem se sentido esgotada, mesmo “sem motivo”. É que o sofrimento psíquico nem sempre vem de algo concreto e visível. Ele também vem da repetição silenciosa de pressões, frustrações e silenciamentos acumulados ao longo do tempo. E qualquer que ele seja, gasta muita energia e traz toda a atenção do corpo para aquele sofrimento, podendo simplesmente tirar a pessoa de qualquer que seja a atividade que ela esteja exercendo, seja trabalho, cuidado com a família ou planos para estudar, viajar.

Por que procurar atalhos não funciona com saúde mental?

Além disso, diante do sofrimento, estamos sempre buscando soluções imediatas e definitivas. Como se fosse possível que a psique simplesmente se concertasse ou se enquadrasse em algo. Um vídeo motivacional, uma nova rotina matinal, um remédio, um curso de inteligência emocional. Nada disso é necessariamente ruim — pode inclusive ajudar —, mas não é isso que resolve.

O sofrimento tem uma história que precisa ser percebida, muitas vezes reorganizada. E leva o tempo que precisa para que aquela psique consiga fazer esse trabalho. Importante dizer que não se trata de buscar traumas escondidos no passado a qualquer custo, mas de reconhecer que somos atravessados por experiências, afetos, vínculos e repetições inconscientes.

Por isso, não é possível ‘curar’ uma dor psíquica da noite para o dia. Não porque a pessoa não quer melhorar ou porque não está tentando, mas porque o processo de elaboração exige um tempo que tem uma lógica própria, a lógica do interno humano que não responde às demandas do relógio, mas de si mesma, apenas. E é justamente na terapia psicanalítica que esse tempo pode ser respeitado e elaborado.

O tempo como parte do cuidado

Ao contrário da lógica da produtividade, o humano não se orienta indefinidamente por metas e promessas de solução. É preciso passar pelo sofrimento. Sem fugir, sem esconder, e sim, atravessá-lo um passinho de cada vez, conforme sua psique aguenta, com gentileza e calma.

Pode parecer muito tempo, mas eu pergunto se alguns meses ou até alguns anos se são tanto tempo que não valem o investimento de esforço para que a vida se torne melhor no futuro.

Fazemos esse investimento em cursos, faculdades, trabalhos, mas entendemos que investir esse tempo em algo tão subjetivo, ainda que claramente mude totalmente o sentido da vida, não é aceitável. Até que a ajuda é imprescindível.

Não precisamos chegar nesse ponto.

E isso é construir saúde mental na possibilidade do dia a dia. Entender essa dinâmica do seu tempo interno e separar o que é seu e o que é do mundo de fora, é autocuidado do mais fino trato.

Porque cada sujeito precisa construir o próprio caminho de elaboração e cuidado de si. O sofrimento não desaparece só com palavras prontas — ele precisa ser atravessado com presença e continuidade.

Em tempos em que tudo nos empurra para seguir adiante rapidamente, sustentar um espaço de pausa e escuta pode ser, por si só, um ato de resistência. Para isso serve a psicanálise.

Respeitar o tempo do sofrimento psíquico é respeitar a si mesmo

Por isso, é importante lembrar: você não está atrasado em nada. O seu tempo é legítimo. O caminho do cuidado psíquico não é linear nem imediato.

A pressa em “voltar ao normal” pode acabar intensificando a dor. Muitas pessoas se sentem frustradas por não conseguirem se “curar” logo, e esse sentimento de fracasso vira mais um peso em um processo que já é difícil.

Então, gentileza, calma e disposição para olhar a si mesmo de forma profunda é o que digo que cura e transforma vidas.

E se você precisa de ajuda para esse caminho, conte comigo.

]]>
Quando os sintomas físicos têm causas emocionais https://danielanunes.com.br/quando-os-sintomas-fisicos-tem-causas-emocionais/ Thu, 10 Apr 2025 12:44:43 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=554 Você já sentiu dores no corpo que não parecem ter uma explicação clara? Ou talvez você tenha procurado diversos médicos que pedem exames e mais exames, mas os resultados são sempre normais? Ou ainda, pode ser que você tenha ouvido de algum especialista que suas questões físicas têm na verdade causa emocional.

O que isso significa exatamente? Porque para algumas pessoas o corpo tem esse funcionamento?

Hoje vamos falar um pouco desse significado, mas também como você pode lidar com quadros como esses em que o corpo e mente estão de alguma forma pedindo socorro.

O corpo como mensageiro das emoções

Você já deve ter ouvido que “o corpo fala”. Quando estamos estressados, ansiosos, com medo ou até mesmo tristes, essas emoções podem se manifestar de diferentes maneiras no corpo. Dores de cabeça, cansaço excessivo, problemas digestivos, tensão muscular, doenças de pele, vertigens e até reais aumentos de diabetes, pressão arterial, dores no peito e dificuldade de respirar são alguns corriqueiros, principalmente associados a questões de ansiedade, stress, emoções e sentimentos.

Por exemplo, pessoas que estão constantemente sob estresse podem desenvolver problemas como dores nas costas, queda de cabelo intensa e insônia. Isso ocorre porque as emoções não estão separadas do corpo físico como se imagina.

Por que isso acontece?

É sempre necessário algum tipo de equilíbrio para nosso sistema, seja ele físico ou psíquico, e quando ele está sobrecarregado, ou quando já enviou diversos sinais de desconforto ou perigo para a consciência e continua sendo ignorado, esse sistema vai encontrar uma outra maneira de comunicar o perigo ou buscar o alívio necessário para continuar sobrevivendo.

Quem vive esses sintomas muitas vezes não consegue nomear o que sente. Às vezes porque aprendeu a calar. Às vezes porque os traumas ficaram tão enterrados que parecem inexistentes.

Trauma não é apenas o que aconteceu — é o que você sentiu quando aconteceu. Às vezes, uma palavra dita no tom errado ou um silêncio prolongado podem deixar marcas mais profundas do que o fato em si

Por isso, escute seu corpo — mesmo quando ele sussurra. Uma dor persistente, um cansaço que não passa… são sinais de alerta. Antes de buscar outro remédio, pergunte-se: Será que algo mais profundo está acontecendo?

Como a terapia pode ajudar?

A psicanálise pode ser uma ferramenta poderosa nesse processo de investigação e entendimento dos sintomas. O vínculo com o terapeuta cria o espaço adequado que aquela pessoa não teve para expressar ou acessar determinado conteúdo.

Também a fala e a escuta têm papel fundamental porque é através delas que se acessa e reorganiza o que está causando essa dor, sempre amparadas pelo espaço livre e sem julgamento que se estabelece na terapia.

Ao olhar para o que estamos sentindo, para os conflitos internos não resolvidos, conseguimos entender melhor a linguagem que o corpo está usando, porque **ele não fala português — ele fala em dores, em tensões, em sintomas. Cada um é um símbolo que o inconsciente usa para ser finalmente escutado

O trabalho terapêutico ajuda a identificar essas conexões e, aos poucos, permite que a pessoa compreenda e elabore suas emoções, aliviando os sintomas físicos que estavam relacionados a esses conflitos.

E principalmente: que ela conheça e entenda a linguagem que o próprio corpo usa já que também é um pedaço muito profundo de si.

]]>
Estou cansada de ser forte https://danielanunes.com.br/estou-cansada-de-ser-forte/ Mon, 07 Apr 2025 11:18:42 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=542 Então você se pega pensando que está cansada de ser forte o tempo todo.

A responsabilidade está grande demais.

Você cuida de muitas pessoas e não cuida de você mesma.

O peso do mundo está sobre os seus ombros.

E agora? O que fazer com isso?

Quando a força vira peso

Em primeiro lugar, eu diria: por mais estranho que pareça, que bom.

Isso porque algo em você disparou um alarme dizendo que a vida precisa mudar. E esses sinais que a psique envia muitas vezes podem ser interpretados como perigo, como algo a ser combatido.

Mas lembre-se: essa ideia de “ser forte” o tempo todo é, na verdade, uma pressão constante. Um peso emocional real.

As perguntas que nos atravessam

Como psicanalista que sou, as primeiras perguntas que me vêm à mente são:

Por que é preciso ser tão forte?

Por que é preciso dar conta de tudo?

E afinal, o que é esse “tudo”?

Manter a imagem de fortaleza nos coloca, muitas vezes, numa posição de não poder mostrar vulnerabilidades. E, para sustentar essa imagem, montamos um muro entre nossas ações e nossos sentimentos.

Tudo o que parece fragilidade fica atrás desse muro… até que a psique não aguenta mais.

Quando a psique pede ajuda

Reconhecer a sua psique pedindo ajuda não é ruim — mas pode parecer assustador no começo.

Esse muro vai precisar de alguma reorganização.

E é aí que a terapia pode ajudar.

O trabalho da análise é descobrir como esse muro foi construído e, principalmente, o que ele esconde.

O que não pode ser visto?

Por que não pode ser visto?

Trazer à tona esses pedacinhos com cuidado, oferecer apoio e reconstruir, com mais verdade e menos peso.

A força de ser humana

Tudo isso passa por um entendimento essencial: a beleza da vida está na nossa capacidade de crescer, aprender e, principalmente, de pedir ajuda quando necessário.

Não é fraqueza reconhecer que, às vezes, precisamos de uma pausa.

Não é fraqueza admitir que não temos todas as respostas.

Isso é ser humano.

A ideia de ser forte o tempo todo é uma ilusão. Somos todos frágeis em diversos momentos — e é a forma como lidamos com essa fragilidade que nos faz sentir fortes novamente.

Forte no sentido de um pouco mais confiante.

Um pouco mais tolerante.

Um pouco mais vulnerável.

Um pouco mais humano.

]]>
Só quero ter uma vida normal https://danielanunes.com.br/so-quero-ter-uma-vida-normal/ https://danielanunes.com.br/so-quero-ter-uma-vida-normal/#respond Wed, 02 Apr 2025 21:29:44 +0000 https://danielanunes.com.br/?p=506 Quando pensamos ou ouvimos a frase “só quero ter uma vida normal”, temos a impressão de que é um desejo simples, que qualquer pessoa pode alcançar sem esforço. Algo como: se é simples, é fácil de conseguir.

Mas não é bem assim que acontece. Esse normal tem um tanto de regras que precisam ser cumpridas e se entende que todas as pessoas chegarão ao mesmo ponto, que a vida será uma linha reta previsível e segura.

E então, vem a vida com seus acontecimentos imprevisíveis. De repente, já não é possível atingir esse normal. A pessoa que antes acreditava na certeza de uma vida linear, no objetivo a ser alcançado porque se esforçou e merecia, agora se vê vítima de uma grande sensação de impotência. Sente-se incapaz de se reorganizar para continuar, sem encontrar sentido, acreditando que não fez o suficiente, que não é boa o suficiente, que todo mundo consegue, menos ela.

Geralmente, é aqui que a terapia começa. Claro, não precisa começar nesse ponto, mas, muitas vezes, é nesse momento que a pessoa procura ajuda. E aqui neste texto, vou colocar algumas perguntas para pensarmos sobre essa ideia de “serei feliz quando atingir a vida que todo mundo tem”.

O que é esse normal?

A primeira pergunta seria: o que é normal para você? Isso porque a ideia de normalidade é extremamente subjetiva. Para alguns, pode ser ter um emprego estável, uma família estruturada e uma rotina previsível. Para outros, pode significar liberdade, experiências intensas e uma vida sem amarras. O que você considera normal pode ser estranho para outra pessoa, e vice-versa.

Só de lembrar que existem muitos “normais”, é possível perceber que esperar alcançar um padrão específico não é necessariamente o melhor caminho a seguir. Mas continuemos no questionamento.

Quem falou que isso é normal?

Essa questão é muito importante porque vai mostrar de onde vem a ideia de que é só atingindo determinados padrões que se está autorizado a ser feliz.

Na terapia psicanalítica, valorizamos cada memória e cada fala que você trouxer a esse respeito, pois nem sempre isso está claro e consciente.

Além disso, é possível que você se depare com emoções e sentimentos conflitantes que podem ser difíceis de acessar, como questões familiares, por exemplo.

Por que você quer ser normal?

Talvez a pergunta mais importante seja essa: por que você deseja tanto ser normal? O que você acredita que vai encontrar ao se encaixar nesse padrão?

Muitas vezes, queremos ser “normais” porque acreditamos que isso trará aceitação, segurança e pertencimento. Mas essa busca vai muito além disso. Ela revela quais regras internas estamos obedecendo — quase sempre de maneira inconsciente.

Percebe que nesse desejo de uma vida normal existem muito mais camadas do que podemos supor ao olhar de forma superficial?

Somos assim, nós, seres humanos: complexos, com uma psique cheia de camadas que traz para o presente conteúdos internalizados de tempos que a consciência, sozinha, não consegue alcançar. Talvez porque não estávamos prontos para lidar com certas situações, talvez porque precisamos de vínculos e espaços seguros para acessar questões mais profundas, traumáticas ou simplesmente desconfortáveis.

Para isso, a psicanálise está aqui: para proporcionar uma escuta atenta e sem julgamentos, ajudando a reorganizar esses conteúdos internos de forma que o indivíduo consiga dar conta de si mesmo e se reinventar sempre que for necessário.

No final das contas, a vida que importa é aquela que você consegue lidar e onde você se movimenta sendo quem é, com todas as suas características.

]]>
https://danielanunes.com.br/so-quero-ter-uma-vida-normal/feed/ 0